Alunos da especialização da EPOG contextualizaram à técnica de enxerto autógeno em implantodontia nas modalidades: enxerto inlay, sandwich, triturado e veener.

Prof. Msc Ricardo Toscano Diretor Científico da DSP Biomedical 


INTRODUÇÃO

As técnicas de enxerto ósseo e de reconstrução parcial ou total da maxila e da mandíbula e das áreas doadoras são avaliadas, basicamente, de acordo com o grau de perda óssea, do planejamento cirúrgico-protético e das condições gerais do paciente (1). A escolha das possíveis áreas doadoras para reconstrução óssea depende, principalmente, do volume ósseo necessário e do tipo de defeito ósseo (2)

Estes enxertos podem ser instalados na forma de blocos (corticais ou córtico-esponjosos) ou particulados. Os enxertos em blocos devem ser fixados na área receptora com parafusos e são posicionados na crista alveolar ou na região vestibular do rebordo alveolar atrófico (enxerto onlay); também podem ser interpostos por baixo do assoalho do seio maxilar ou das fossas nasais (enxerto inlay), para tratar simultaneamente as deficiências de altura e largura (3,4).

A escolha das possíveis áreas doadoras para a reconstrução óssea depende do volume de osso necessário, do tipo de defeito ósseo, do tipo de enxerto ósseo (cortical, esponjoso ou córtico-esponjoso), da origem embriológica e da morbidade da operação. Para os pequenos e médios defeitos ósseos as áreas intrabucais do- adoras são o mento, a área retromolar e o túber. Para reconstruções maiores as áreas doadoras externas são o osso ilíaco, a calota craniana (parietal), a tíbia, a fíbula e as costelas( 5).

Principais áreas Doadoras intrabucais para enxertia Autógena

Túber da Maxila

O túber é uma área basicamente de osso medular. Dependendo da anatomia, oferece pequenas e médias quantidades de osso, podendo ser retirado bilateralmente. É usado em enxertos de concavidades devido à perda dental, em pequenas fenestrações durante o preparo para colocação de implantes e em enxertos em cavidade de seio maxilar. Enfim, é um osso de preenchimento e a ser utilizado na forma particulada. A anestesia usada é a terminal infiltrativa posterior (nervo alveolar superior posterior) e complementar no rebordo e no nervo palatino posterior. É realizada incisão com retalho total na crista do rebordo e na vestibular. Após o deslocamento do retalho, a área fica em evidência. No final, são feitas a regularização óssea e a sutura (6).

Mento

O Mento é uma das melhores áreas bucais porque oferece boa quantidade e qualidade óssea cortical e medular. O enxerto tem a forma de semiarco, e pode ser usado como enxerto do tipo “onlay” (sobre o rebordo), “inlay” (dentro de uma cavidade), “sandwich” (dentro e fora do rebordo remanescente, geralmente em seio maxilar) ou triturado (para preencher espaços entre blocos ou de pequenos defeitos e/ou dentro do seio maxilar). A técnica consiste em anestesia regional bilateral do nervo alveolar inferior, podendo haver complementação anestésica por meio de anestesia terminal infiltrativa no fundo do vestíbulo e lingual do incisivos. A incisão pode ser feita na crista e na papila interdental até o periósteo. Em seguida, desloca-se o retalho até a base da mandíbula. Uma vez exposto o tecido ósseo, utiliza-se broca trefina adaptada ao contra-ângulo, que possibilita a remoção do enxerto em forma de “tubos”, obtendo-se cilindros de osso cortical e medular.

Retromolar

Nesta área encontramos uma grande quantidade de osso cortical e pouca medular. Assim, recomenda-se enxerto do tipo “veneer” (sobreposto ao remanescente ósseo), onlay e/ou inlay. A espessura e o tamanho dependem da anatomía local, e o acesso pode ser limitado, em função de a região ficar na parte posterior da boca. As vezes, dependendo do tamanho da perda óssea, consegue-se retirar o enxerto em forma de “L”, possibilitando um aumento da altura e da largura do rebordo para pequenas perdas ósseas (um a três dentes) (3,7)

A anestesia usada é regional do nervo alveolar inferior, realizando-se complementação por meio de anestesia terminal infiltrativa na porção anterior do ramo ascendente. A incisão começa na base do ramo e segue pela linha oblíqua externa até a região do primeiro molar inferior. Também pode ser iniciada no ramo, continuando com incisão interpapilar até a região do segundo pré-mo- lar inferior. O retalho é total até o periósteo, expondo-se toda a área retromolar e a linha oblíqua externa. Com broca da série 700 em baixa rotação ou com minisserras, sempre com irrigação abundante com solução salina, delimita-se a área a ser retirada, completa-se a osteotomia, e o bloco ósseo é removido com cinzel e/ou alavancas. É difícil delimitar toda a área com osteotomia, pois a área inferior é de difícil acesso (5,7).

Neste contexto teórico aconteceu na EPOG Joinville no dia 10 de outubro para os alunos do curso de especialização desta instituição, Hands On de enxertia óssea Autógena com a condução do Prof. MSc Ricardo Denardi, utilizando Kits e parafusos de enxertia DSP Biomedical. Prof. MSc Ricardo Toscano, Diretor Científico da DSP Biomedical esteve presente assistindo este evento hipercontextulizado com alunos e executando manobras cirúrgicas em manequins de simulação cirúrgica.

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kits

Referências Bibliográficas
1. Jung YS. Kim HJ. Choi SW, Kang JW, Cha IH. Regional thickness of parietal bone in Korean adults. Int J Oral Maxillofac Surg. 2003;32(6):638-41
2. Kuabara MR, Vasconcelos LW, Carvalho PSP. Técnicas cirúrgicas para obtenção de enxerto ósseo autógeno. Rev Fac Odontol Lins. 2000;12(1/2):44-51.
3. Magini RS. Enxertos ósseos no seio maxilar. Estética e função. São Paulo: Santos; 2006.
4. Nary Filho H, Marques-Padovan LE. Fixação zigomática. São Paulo: Santos; 2008.
5. Salim RA, Souza-Silva GH, Marzola C. Reconstrução de maxila atrófica com enxerto de crista do osso ilíaco – Revista da literatura e apresentação de caso clínico-cirúrgico. Rev Odontol. 2007;10(1):871-86.
6. Urist MR, Mikulski A, Boyd SD. A chemosterilized antigen-extracte autodigested alloimplant for bone banks. Arch Surg. 975;110(4):416-28.
7. Okuhara A, Navarro TP, Procópio RJ, Bernardes RC, Oliveira LCC, Nishiyama MP. Incidência de trombose venosa profunda e qualidade da profilaxia para tromboelmbolismo venoso. Rev Col Bras Cir. [perió- dico na Internet] 2014;41(1)