Análise comparativa de cilindros protéticos para minipilares cônicos em implantes de sextavado externo plataforma 4.1

O implante dentário tornou-se uma opção de tratamento para pacientes parcialmente ou totalmente edêntulos; atuando como ancoragem ao osso alveolar por meio do processo de osseointegração; que se configura um critério essencial ao seu sucesso. No entanto, estudos longitudinais com implantes dentários endoósseos indicam que muitas complicações ocorrem após a sua ativação protética.

Os componentes transmucosos se ligam ao corpo do implante através de um parafuso em um processo assistido por geometrias externas ou internas – o mais típico tem uma geometria hexagonal.

Estas conexões possuem alturas e desenhos diversos. Sabe-se que o hexágono externo foi criado para facilitar o transporte de torque durante a inserção de implantes, não apresentando, inicialmente, um sistema anti-rotacional. O hexágono externo, posteriormente, funcionou como um mecanismo anti-rotacional com intuito de orientar o pilar em próteses unitárias. Hoje, o sextavado externo é um método utilizado para cirurgias de dois tempos cirúrgicas, caracterizado pelo sistema anti-rotacional, pela reversibilidade e pela compatibilidade com outros componentes.

Pilares Protéticos

Os pilares protéticos poderão ser chamados de: intermediários, conexões, conectores, abutments e componentes transmucosos. Podem ser classificados em pilares protéticos para prótese parafusada e pilares protéticos para prótese cimentada, diferenciando-se pela indicação e pela utilização em reabilitações com necessidade estética e periodontal, possibilitando a correções de angulação, de altura de cinta e da
adaptação à plataforma do implante.Todavia os pilares preparáveis não possuem componentes de transferência pré-fabricados, análogos e cilindros protéticos, exigindo um maior tempo clinico-laboratorial, necessitando de uma refundição, predispondo a desajuste na interface implante/intermediário.

Conexão Implante-pilar

O sistema de conexão implante-pilar é um dos parâmetros de design mais alterados por fabricantes de implantes, diferenciados em altura e desenhos. Algumas empresas lançaram no mercado opções de componentes protéticos empregando técnicas de confecção e materiais de baixo custo, como pilares individualizados totalmente calcináveis e pilares com base pré-usinada em ligas básicas. Muitos desses sistemas de implantes popularizados se dizem compatíveis e intercambiáveis entre os vários sistemas que ofertam a plataforma 4.1 no mercado nacional e no internacional. A desadaptação e o desajuste vertical e/ou horizontal entre a conexão pilar-implante acarretará no insucesso clinico do implante dentário endoósseo. Umas das consequências do desajuste da conexão protética/implante é a colonização bacteriana, devido à formação de uma fenda entre a conexão pilar-implante, e consequentemente a proliferação envolta do mesmo.

Contudo, esta pesquisa visa verificar a intercambiabilidade de diferentes componentes protéticos entre fabricantes de implantes padrão Branemark, a fim de verificar a adaptação vertical entre o componente protético mirustone e seu cilindro calcinável após a fundição com liga metálica, utilizando um microscópio digital. Objetiva-se testar a hipótese que esses componentes poderão apresentar adaptações questionáveis quando associados a diferentes fabricantes de sistema de implantes.

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Implantes com os respectivos mini pilares cônicos torqueados e conjunto de captura.

 

RESULTADOS

No presente estudo, a variável AV não apregraf01sentou diferença estatisticamente significante (p=0,9861), fato que fortalece a análise e elimina a possibilidade de exclusão de dados, o que nos possibilita afirmar que os dados coletados foram obtidos em conformidade pelos avaliadores sendo a análise válida.

Quando conectamos intermediário/implante/cilindro calcinável fundido de mesmo fabricante, observamos que apresentou a média da Conexão/Conexão e Neodent/Neodent favorável, diferente de quando combinamos DSP e DSP, que obteve valores menores que o escore médio.

Em relação às combinações dos resultados, os agrupamentos Neodent-DSP, Neodent-Up, Conexão-UpSystem e DSP-DSP não apresentaram intercambiabilidade, apresentando uma baixa qualidade de adaptação (p<0,05). E os demais conjuntos podem ser utilizados entre si, entretanto deve-se ter como base algum parâmetro que direciona até quanto de desadaptação é possível utilizar cada conjunto.

O resultado mínimo de desadaptação que ainda se manteve no parâmetro sem diferença estatística foi o do grupo DSP-Neodent, com escore médio de 7,44. Abaixo disto foi classificado como inadequado. Sendo o sistema de implante Conexão a de maior nota, conferindo a intercambiabilidade mais viável, representado no gráfico (Gráf. 1).

 

Sendo os agrupamentos Neodent-UpSystem, Conexão-UpSystem e DSP-UpSystem, em que os dois primeiros agrupamentos obtiveram dos três avaliadores as notas das 3 (três) coifas fundidas abaixo da média, segundo o gráfico abaixo (Gráf. 2).

graf02

Fujiwara et al (2009) analisaram a intercompatibilidade dos sistemas de implantes e dos componentes protéticos concluíram que não são todas as combinações que podem ser consideradas compatíveis, sendo o de melhor ajuste ou adaptação os componentes protéticos e os implantes de mesmo fabricante, no qual não apresentaram gap. Nesse estudo, as melhores adaptações entre os implantes e as coifas de mesma marca foram da Neodent e da Conexão, sendo a Neodent mais precisa em seu ajuste.

Todavia, os seus resultados se contrapõem com os do estudo em tela, uma vez que ao analisarmos o somatório das notas da variável AV, relacionando a possível presença de adaptação passiva entre o cilindro calcinável e o mini pilar cônico de mesmo fabricante, contatou-se que seguindo uma ordem crescente do resultado, a marca comercial Conexão foi quem obteve o melhor somatório, seguido das marcas Neodent e DSP ; já a marca Conexão foi a que apresentou maior compatibilidade com os outros cilindros calcináveis após fundidos dos demais sistemas estudados, conforme representado no (Gráf.1), onde as maiores médias das notas dos 3 (três) avaliadores foram Conexão-Conexão, Conexão-Neodent e Conexão-DSP, já Conexão-UpSystem obtiveram médias menores que estipuladas.

Seguindo os parâmetros estabelecidos para o sistema de implantes Branemark, várias alternativas de componentes muito parecidas com o desenho original foram introduzidos a fim de compensar as limitações de custo e de técnica. Segundo Zanard et al (2012), a aparente equivalência fornecido pela padronização de fabricação e a inevitável tolerância de usinagem faria os pilares de diferentes marcas intercambiáveis. Isto poderia ser útil em algumas situações clínicas a fim de proporcionar um recurso para selecionar um pilar para implante de semelhantes projetos, sendo também positivo para o paciente, uma vez que permite uma fácil identificação e manutenção da prótese, no futuro quando mudar de consultório odontológico.
Observou-se no presente estudo que ao intercambiarmos sobre um mini pilar cônico o cilindro calcinável fundido de fabricante como a Neodent e Conexão com o componente protético calcinável fundido da UpSystem, foram obtidos os menores resultados de adaptação pelos avaliadores (Gráf.2); como esse desajuste entre o implante, o pilar e o componente protético tem um papel importante na manutenção do complexo osso / implante / prótese na gestão resposta biomecânica e contaminação bacteriana, essas combinações se mostram desfavoráveis ao desempenho clinico do conjunto.

Em um estudo entre os fabricantes da Neodent, Conexão, SIN e Microplant usando como referência para avalição conforme a presença de lacuna na interface pilar original com seu respectivo implante, seguindo como referência a dimensão. Os pilares calcináveis rotacionais e os não-rotacionais combinados com diferentes marcas de implante hexágono externo plataforma 4.1 testadas não reproduziram de forma consistente a exatidão na interface do componente original e seu respectivo implante, sendo os não rotacionais os de maior desadaptação. Os resultados sugerem que, para os parâmetros de intercompatibilidade avaliados, o pilar da marca alternativa teria a compatibilidade com todos os três sistemas se mostrando contrário aos resultados desse estudo por se tratar de peças torneadas e não fundidas. Estes autores afirmam que há deformidade de desadaptação na interface implante-pilar, no qual a interface poderá ser bem adaptada em um ponto e, progressivamente, uma desadaptação máxima no lado oposto, sugerindo uma abertura inclinada que pode ser gerada por alterações na calibração do torno utilizado na sua confecção, no nosso estudo isso foi observado após a fundição dos componentes protéticos, sendo um dos critérios de avalição na metodologia.

No que diz respeito aos cilindros calcináveis, fundições com pouca precisão podem resultar em complicações biológicas e mecânicas como: mucosites, afrouxamento de parafuso, fratura de parafuso e perda da osseointegração, como visualizado em nossos resultados principalmente com as marcas Conexão-UpSystem, Neodent-UpSystem e Neodent-DSP, em uma ordem crescente da média das notas obtidas pela variável AV.
A importância da compatibilidade entre sistemas de implantes e seus componentes protéticos foi abordada primeiramente por Binon et al (1999), esses defendiam a intercambiabilidade entre sistemas protéticos para implantes hexágono externo a fim de reduzir os custos das peças, facilitar a compra e gerar uma maior disponibilidade de variação entre os componentes protéticos. Entretanto, eles previam que essa intercambiablidade poderia adquirir aspectos negativos a curto ou longo prazo, já que poderia haver desadaptação entre as peças. Entretanto, de acordo com os resultados obtidos nesse estudo, isso se confirma quando visualizamos uma maior desadaptação quando o intermediário foi interligado ao cilindro calcinável fundido da marca UpSytem (Gráfico 2).

A pré-carga varia conforme o desenho do pilar, o diâmetro e material do parafuso, do torque de aperto e da velocidade de aplicação, podendo influenciar com maior veemência no sucesso da adaptação em restaurações implanto-suportada, já que possuem maior sensibilidade na manutenção da integridade da interfase implante/pilar. Em nossos achados o uso de uma pré-carga não seria possível, pois a desadaptação em alguns casos já se mostrava a um nível de aperto digital, caso utilizássemos a chave de torque no intuito de tentar minimizar a desadaptação seria possível gerar um dano à rosca do parafuso ou do pilar protético.

A falta de adaptação passiva é um dos maiores problemas de prótese sobre implante especialmente em regiões de alta carga funcional, como em restaurações unitárias de pré-molares e de molares. Na presença de desadaptações, caso presente em nosso estudo, principalmente entre intermediário/cilindros calcináveis fundidos combinados entre diferentes fabricantes, aumentando a probabilidade da ocorrência do afrouxamento do parafuso do pilar ou a perda de rosca, podendo levar a falha dessa união.

 

CONCLUSÃO

. Os agrupamentos Neo-DSP, Neo-Up, Con-Up e DSP-DSP não apresentaram intercambiabilidade, apresentando uma baixa qualidade de adaptação (p<0,05).

. A Con-Neo, Con-Con e Con-DSP foram os grupamentos com maiores médias; e que o estudo constatou ser a opção de intercambiabilidade mais viável.

. A maior desadaptação foi observada quando o intermediário foi interligado ao cilindro calcinável fundido da marca UpSytem.

. O sistema de implante que obteve maior nota foi da Conexão, e que o estudo constatou ser a opção de intercambiabilidade mais viável.

. Os cilindros calcináveis da marca UpSystem após serem fundidos apresentaram um menor índice de adaptação que os demais fabricantes, exceto quando conectados ao conjunto DSP.

 

Por  Maria Patrícia, Rogério de Mendonça, Aline Alves Camelo e Flávio Augusto Pereira Gomes

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