Implante dentário imediato em região anterior de maxila – relato de caso

Relato de Caso produzido por Dr. Ricardo Denardi e Dr. Ricardo Toscano

Após a extração do elemento dental observam-se múltiplas alterações no osso alveolar remanescente (SCHROPP et al. 2003). Restabelecer a função e a estética de um dente perdido por um implante dentário tem demonstrado resultados previsíveis (BUSER et al. 1990). O tempo ideal para a instalação dos implantes dentários são objetivos principais de diversos estudos (ESPOSITO et al. 1998; CHEN et al 2004; HAMMERLE et al. 2004; ESPOSITO et al. 2010). A instalação imediata ou tipo 1, ocorre quando o implante é instalado imediatamente após a extração dentária cicatrizando concomitantemente com os tecidos duros e moles (HAMMERLE et al. 2004).

O preenchimento do espaço existente entre a tábua óssea vestibular e o implante dentário (gap) após sua instalação pode contribuir na diminuição da remodelação óssea (Paul & Held 2012; Kuckler et al. 2015).

Apesar da inevitável perda óssea o procedimento de implante imediato é considerado favorável na resposta óssea peri-implantar e na estética em implantes imediatamente instalados com provisório em região anterior de maxila (KAN et al. 2003).

Relato de caso clínico

Paciente do gênero feminino, 65 anos, ASA II (American Society of Anestesiology) compareceu em clínica privada com queixa principal de sensibilidade dolorosa em região anterior de maxila. Após avaliação clínica e radiográfica constatou-se ampla lesão cariosa radicular com fratura do remanescente coronário do elemento dental 22 (FDI) e indicação para extração dentária (Figuras 1 e 2).

Foi proposto o tratamento de exodontia minimamente traumática do elemento dental e instalação imediata de implante com provisionalização imediata, se possível.

Uma hora antes do procedimento cirúrgico foi adotado o protocolo medicamentoso de 2 cápsulas de amoxicilina 500mg, 1 comprimido de dexametasona 4mg e bochecho durante 1 minuto com uma solução contendo digluconato de clorexidina 0,12%.

Após utilização de lidocaína tópica (Xylestesin 10% – Cristália, Brasil) a região vestibular e palatina foi anestesiada, através da técnica infiltrativa, com cloridrato de articaína+epinefrina (Articaine 100 Nova DFL, Rio de Janeiro, Brasil).  Incisão intrasucular foi realizada nas paredes vestibular, palatina, mesial e distal. Após incisão foi realizada a remoção do terço coronário radicular já fraturado (Figura 3).

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Figura 1 – Radiografia periapical inicial

O remanescente radicular foi removido de forma minimamente traumática com utilização de periótomos e alavancas prevenindo qualquer injúria a tabua óssea vestibular.  Após a extração foi realizado o procedimento de instrumentação para a instalação do implante dentário conforme recomendações do fabricante (DSP BIOMEDICAL, Campo Largo, Brasil). O preparo do leito cirúrgico foi realizado iniciando pela fresa lança 2,5mm seguida da fresa cônica 3,5 no comprimento de 13,5mm.

Após a instrumentação foi instalado um implante do tipo Cone Morse Indexado 3,5×11,5 mm Wayfit. O implante foi instalado 2mm abaixo da crista óssea alveolar palatina com torque de inserção de 40N.cm (figura 4)

Após utilização de lidocaína tópica (Xylestesin 10% – Cristália, Brasil) a região vestibular e palatina foi anestesiada, através da técnica infiltrativa, com cloridrato de articaína+epinefrina (Articaine 100 Nova DFL, Rio de Janeiro, Brasil).  Incisão intrasucular foi realizada nas paredes vestibular, palatina, mesial e distal. Após incisão foi realizada a remoção do terço coronário radicular já fraturado (Figura 3).

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Figura 2 – Aspecto clínico inicial do elemento dental 22 (FDI)

Foi realizada a seleção do intermediário por meio do kit de seleção protética Cone Morse. Foram realizadas radiografias periapicais para confirmação das dimensões selecionadas do intermediário. Após a seleção, o intermediário foi instalado com torque de 30 N.cm (Mini Flexcone alt. 3,5mm – DSP Biomedical, Campo Largo, Brasil) (figura 5).

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Figura 3 – Aspecto clínico após remoção do terço coronário

Na sequência foi realizada a moldagem para confecção de coroa provisória sobre o implante imediato. O espaço existente entre a tabua óssea vestibular e o implante dentário foi preenchido com enxerto ósseo desproteinizado (Figura 6). Com auxílio de um cilindro de titânio antirrotacional foi confeccionado uma coroa acrílica parafusada a qual foi instalada após 12 horas do procedimento cirúrgico (torque de 10N.cm) (Figuras 7 e 8). Uma verificação oclusal e proximal dessa restauração provisória foi realizada para garantir um carregamento não-funcional. Após a cirurgia, foi transmitido ao paciente instruções pós-cirúrgicas e prescrição de amoxicilina 500mg, 1 cápsula a cada 8 horas durante 7 dias; Spidufen® 600, 10 envelopes para dissolução de 12 em 12 horas durante 5 dias e aplicação tópica de digluconato de clorexidina 0,12% durante 10 dias.

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Figura 4 – Implante Cone Morse Indexado Wayfit 3,5×11,5mm (DSP BIOMEDICAL, Campo Largo, Brasil) instalado com torque de 40N.cm

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Figura 5 – Instalação do Pilar Mini Flexcone altura 3,5mm (DSP BIOMEDICAL, Campo Largo, Brasil)

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Figura 6 – Preenchimento do gap existente entre a tábua óssea vestibular e o implante

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Figura 7 – Aspecto clínico da coroa provisória instalada

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Figura 8 – Aspecto radiográfico da coroa provisória instalada.

Discussão

A instalação imediata de implante concomitante ao momento da extração minimiza o tempo do procedimento cirúrgico com previsibilidade do procedimento. Esposito et al. (2010) não observaram falhas, através de revisão sistemática, nos implantes instalados de forma imediata, precoce ou tardia.

A seleção do implante cônico Cone Morse Indexado Wayfit ocorreu em virtude de sua macrogeometria ser cônica e altamente compactante (roscas triplas com alívio de tensão) aumentando a estabilidade primária do implante imediato e permitindo assim a função imediata. A largura do implante escolhido foi de 3,5mm para respeitar uma distância mínima de 1,5mm entre o implante e as raízes dos dentes adjacentes e garantir a respectiva integridade dos tecidos peri-implantares.

O espaço protético reduzido no sentido mesio-distal na reabilitação implantossuportada foi solucionada pela seleção do pilar intermediário Mini Flexcone. Esse intermediário apresenta diâmetro de 3mm e está disponível comercialmente em diversas alturas de transmucoso o que permite uma maior previsibilidade de saúde peri-implantar.

Previsibilidade da técnica, redução no tempo total de tratamento e diminuição do número de procedimentos cirúrgicos certamente são as grandes vantagens na utilização da técnica do implante imediato submetido a função imediata em regiões anteriores de maxila.

Referências Bibliográficas

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  • Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes 300  following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. Int J  Periodontics Restorative Dent. 2003;23(4):313-323.