O universo lúdico da odontopediatria

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Um relacionamento construído sob os pilares da segurança e da confiança. Assim é a realidade da Odontopediatria, que lida com um público formado por pequenos e exigentes pacientes. Aliando a percepção e o entendimento dos seus gostos e peculiaridades, o odontopediatra conquista seus pacientes mirins e realiza um trabalho que mescla o lúdico com a plena satisfação profissional. A Revista DSP Biomedical apresenta um pouco mais sobre o trabalho das odontopediatras Fernanda Bello Costa de Souza e Renata Feres:
A odontopediatra Fernanda Bello Costa de Souza, cirurgiã dentista formada pela Universidade Federal do Paraná, em 2001, atua com crianças desde que saiu da faculdade.
Hoje, após mais de 15 anos de carreira, possui um consultório voltado ao atendimento de bebês, crianças e adolescentes. Segundo ela, para trabalhar com crianças é preciso muita dedicação e afinidade com o mundo infantil e, é claro, capacitação profissional constante.

 

REVISTA DSP – Por que optou pelo trabalho com crianças?

Fernanda Bello Costa Souza – O motivo que me levou a trabalhar com crianças foi a afinidade, por realmente gostar do universo infantil.

 

REVISTA DSP – Quais os principais aspectos que devem ser considerados no tratamento de crianças?

FS – O principal aspecto é que o odontopediatra não pode tratar o paciente infantil como um mini-adulto. Ele possui todas as peculiaridades, desde a questão odontológica como também a questão cognitiva. Ou seja, um dente de leite não é como um permanente em tamanho, em tempo de vida e diversos aspectos.  A criança é um paciente em evolução e é preciso que o dentista saiba os dentes que nascem primeiro, a sequência e a cronologia das trocas. Da mesma forma, ele precisa entender um pouco da psicologia infantil, como abordar uma criança, lembrar que cada idade da infância é diferente, que o jeito de abordar um bebê é totalmente diferente da maneira de abordar uma criança de cinco anos, de nove e de dez.

Na pediatria, usamos a técnica do “falar, mostrar e fazer”. Primeiro falamos o que vai ser feito, depois mostramos em algum objeto ou brinquedo e só depois fazemos. Este processo diminui a ansiedade do paciente, pois permite a ele visualizar e entender o que vai ser feito.
O consultório odontológico de um odontopediatra também é diferenciado: minha clínica possui diversos recursos lúdicos, como livros, televisão, filmes, brindes para depois da consulta, jalecos estampados e coloridos, além de um ambiente diferente de um adulto, pras crianças sentirem que estão em um lugar ao qual pertencem, o que alivia bastante o medo e a ansiedade.

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REVISTA DSP – Como as técnicas evoluíram com o passar dos anos e como contribuíram com a qualidade do atendimento prestado ao paciente?
FS – Assim como todo o restante da ciência, a Odontologia evoluiu. Falando em odontopediatria, dois aspectos bem importantes devem ser considerados. Primeiro, a vinda dos materiais adesivos, aqueles que possibilitam tirar a menor porção de quantidade de tecido de dente cariado, o que contribui para uma menor sensação dolorosa durante o procedimento.
Segundo, as técnicas de sedação consciente feitas com óxido nitroso e oxigênio, que aumentam a analgesia do procedimento e colaboram com o conforto do paciente.

Filha do renomado ortodontista Marco Antonio L. Feres, com mais de quatro décadas de carreira, a ortodontista Renata Feres se especializou no tratamento dos distúrbios do sono. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e doutoranda em Clínica Odontológica pela Universidade Positivo, Renata segue os passos paternos e dá continuidade a um tratamento pioneiro em todo o Brasil.

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REVISTA DSP – Quais os principais aspectos que devem ser considerados no tratamento de crianças?
Renata Feres – Para um diagnóstico adequado, é fundamental conhecer a história da criança – desde fatores ligados a história médica, qualidade de vida, características do sono, da respiração e se há problema em seu desenvolvimento craniofacial ou dos dentes. É um conjunto de avaliações que determinarão se há necessidade de tratamento e quando ele deve ocorrer: características bucais alteradas como o céu da boca estreito e profundo, mordida cruzada, falta de espaço para os dentes nascerem, mandíbula pequena e posição de língua baixa, entre outros.
É importante salientar que a maturidade da criança é essencial, pois ela precisa compreender o que vai acontecer e colaborar com o tratamento sugerido. Normalmente, este não é um grande problema na Ortodontia, pois as crianças gostam muito dos aparelhos. Além disso, a abordagem e o tratamento são específicos para a idade, com o uso de um lado lúdico para envolver o paciente e facilitar a aceitação.

 

REVISTA DSP – Como as técnicas evoluíram com o passar dos anos e como contribuíram com a qualidade do atendimento prestado ao paciente?
RF – A tecnologia dos materiais utilizados melhorou muito. Por exemplo, o design dos aparelhos fixos é menor e mais arredondado, para conforto do paciente. Muitos aparelhos que usamos são fixos, ou seja, não necessitam de muita colaboração do paciente. E os pais não precisam ficar relembrando seus filhos de colocar e tirar, o que muitas vezes prejudica o tratamento.

 

REVISTA DSP – Que tipo de recursos você utiliza com seus pequenos pacientes para garantir um tratamento mais tranqüilo?
O mais importante é entender a criança, por isso que nossa primeira consulta é bem longa, pois vamos conhecer a criança e sua família, quais seus desejos e expectativas sobre o tratamento. Normalmente iniciamos a consulta no escritório, longe da cadeira (temida por alguns), e aos poucos levamos a criança para a sala clínica. Porém, a confiança e o relacionamento são construídos com o passar do tempo. A grande vantagem da Ortodontia é que ela não usa agulhas, nem bisturis ou outros objetos que assustam as crianças. Costumamos brincar e dizer que “nesse consultório nem tem nada disso nas gavetas e nós também não gostamos de injeção nem de sangue”. Toda nossa equipe gosta muito de crianças, isso faz com que o ambiente de trabalho seja muito tranqüilo.

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