Pesquisas científicas devem ser acessíveis ao meio acadêmico

O DSP Connect entrevistou o doutor em Odontologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, na área de Prótese Dentária, e professor da disciplina Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP, Aldiéris Alves Pesqueira, tem experiência em Odontologia com ênfase em Prótese Dentária, atuando principalmente em Prótese Bucomaxilofacial, Prótese Parcial Fixa e Prótese sobre Implante. Na entrevista concedida para a revista científica da DSP Biomedical, Pesqueira fala sobre a importância da pesquisa científica para a área clínica. Destaca que é imprescindível que as pesquisas científicas realizadas dentro do âmbito da universidade sejam acessíveis ao maior número possível de profissionais da área da saúde. 

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 Como o senhor avalia as pesquisas científicas no Brasil direcionadas para a área da odontologia, principalmente, implantodontia?

Professor Pesqueira – A utilização de implantes dentais osseointegrados proporciona novas modalidades de reabilitações protéticas de pacientes parcial ou totalmente desdentados, com alto índice de sucesso, resultando em maior eficiência mastigatória, satisfação e, consequentemente, melhora na qualidade de vida. Mesmo a implantodontia sendo uma área recente na Odontologia, teve uma grande evolução, devido ao desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas, evolução de novos desenhos dos implantes e criação de novos tratamentos de superfícies, com o intuito de obter sucesso e longevidade das reabilitações implantossuportadas.

Revista DSP – Qual o papel da universidade e centros de pesquisa na formação do profissional que atua nessa área e nas clínicas?

Professor Pesqueira – Preparar um profissional extremamente capacitado e com conhecimento. Preocupado não só com a parte clínica, como a científica. Buscando sempre o melhor tratamento possível ao seu paciente, sendo fundamental que, durante sua formação, tenha contato com a pesquisa, tornando-o capaz de absorver dos trabalhos acessíveis na literatura o que é mais relevante para sua necessidade clínica.

É de fundamental importância o envolvimento dos profissionais na realização de pesquisas científicas, pois os mesmos enfrentam diariamente limitações e dúvidas durante o tratamento de seus pacientes, dúvidas essas que devem ser levadas ao ambiente científico para estimular e proporcionar evolução constante dos materiais e técnicas, gerando benefício mútuo, tanto para o clínico quanto para o pesquisador.

Revista DSP – Quais os procedimentos utilizados hoje na implantodontia que são resultados de estudos científicos? Estudos clínicos também colaboram para a modernização e desenvolvimento da área?

Professor Pesqueira – Todas as evoluções pela qual a implantodontia passou, como desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas (enxerto, levantamento de seio, implantes zigomáticos), modificações no desenho dos implantes (comprimento, forma, diâmetro e tipos de roscas) e características da superfície dos implantes, foram consequências de estudos in vitro, realizados com o intuito de se conseguir uma maior taxa de sucesso dos tratamentos. Os estudos clínicos servem para fomentar novas pesquisas, por meio das limitações clínicas, sendo fundamental que tudo o que é pesquisado, tenha uma comprovação a partir de estudos clínicos e do acompanhamento dos casos.

Revista DSP – Há necessidade de os profissionais se envolverem mais e realizarem mais pesquisas científicas na área?

Professor Pesqueira – É de fundamental importância o envolvimento dos profissionais na realização de pesquisas científicas, pois os mesmos enfrentam diariamente limitações e dúvidas durante o tratamento de seus pacientes, dúvidas essas que devem ser levadas ao ambiente científico para estimular e proporcionar evolução constante dos materiais e técnicas, gerando benefício mútuo, tanto para o clínico quanto para o pesquisador.

Revista DSP – E com relação a publicações científicas, o senhor acredita que os profissionais podem e devem compartilhar seus estudos?

Professor Pesqueira – É imprescindível que as pesquisas científicas realizadas dentro do âmbito da universidade sejam acessíveis ao maior número possível de profissionais da área da saúde, visto que as mesmas são realizadas buscando solucionar complicações clinicas do dia-a-dia do profissional, por isso é importante que os resultados sejam publicados em periódicos nacionais e internacionais, bem como divulgados por meio de cursos, palestras e em congressos da área.

Revista DSP – O senhor desenvolve pesquisas científicas? Poderia citar e abordar a aplicação em clínicas?

Professor Pesqueira – Sim, trabalhamos com duas linhas de pesquisa (biomecânica em prótese sobreimplante e as propriedades físico-mecânicas de cerâmicas odontológicas). Atualmente, a significância do aspecto biomecânico do tratamento com implantes tem sido enfatizada e tem-se procurado medidas seguras que definam os limites da transmissão de forças aos implantes dentários. Diante disso, realizamos estudos com relação aos tipos de conexões, desenho do implante (forma, comprimento, tipos de rosca, diâmetro, característica de superfície, etc.), tipo de prótese, quantidade e qualidade do tecido ósseo circundante, tipo de conexão protética, distribuição dos implantes e extensão do cantilever, sendo que é fundamental o conhecimento de cada um desses fatores, seu efeito na transmissão da tensão e a interação entre eles, para otimizar a distribuição da carga mastigatórias, por meio das próteses e destas para o implante e osso de suporte.

 

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