Você usa Hexagono Externo ou Cone Morse?

Esta pergunta é bem comum de escutar entre os profissionais especializados em implantodontia. Porém, as respostas não são sempre coincidentes. Ainda nos deparamos com outra questão, quando você usa Hexágono Externo e quando você usa Cone Morse em suas reabilitações? Nas respostas aqui encontramos também divergências dos profissionais questionados.

Em cima destes questionamentos a implantodontia tem se esmerado para aprimorar suas características biológicas e mecânicas. Todavia todo o desafio se faz em oferecer um tratamento reabilitador estético possibilitando a higidez dos tecidos periimplantares.

Para esse equilíbrio acontecer, diversos fatores devem ser observados; critérios na seleção do tipo de plataforma protética e do implante relacionando com o volume ósseo disponível, como leito receptor e características dos tecidos moles envolvidos.

A resolução do relato de caso descrito abaixo se permeou na clínica, baseada em evidencias científicas e, avaliando de maneira isolada os critérios de seleção das plataformas protéticas.

O uso do hexágono externo foi adotado baseado na altura do remanescente ósseo e por ser aplicado para reabilitação de próteses múltiplas em áreas não estéticas, enquanto para o Cone Morse optamos como primeira opção para casos unitários, visando alta performance clínica, devido a suas características mecânicas e biológicas.

 

Relato caso 

Paciente com 58 anos procurou atendimento odontológico no DSP Science Training Center devido à ausência dos elemento dentários 36, 37 e 46,  tendo como queixa principal a dificuldade em mastigar.

Foi realizada uma avaliação clínica e a radiográfica. Previamente a cirurgia, exames pré operatórios foram solicitados, comprovando um estado de saúde estável e sem distúrbio sistêmico.

Com a análise do exame tomográfico,  observamos a possibilidade de instalação de implantes com no máximo 8,5 mm de altura, respeitando a margem de segurança sem procedimentos

Complementares, como enxerto e lateralização de nervo, e na região do elemento 46 observou-se a possibilidade de instalação de implante de 14mm de altura, respeitando as estruturas anatômicas de interesse.

O tratamento proposto e executado consistiu na instalação de implantes hexágono externo Biofit 3,5 x8,5mm na região 36/37 e mini pilar como componente protético para confecção de prótese múltiplas e instalação de implante Cone Morse Wayfit 3,8x 11,5 mm, ficando 2mm infra ósseo na região do 46 e FlexCone como componente protético para prótese unitária.

Adotou-se esta abordagem baseado na altura óssea e característica dos tecidos moles existentes, otimizando a configuração da reabilitação protética final.

Após 3 meses da instalação dos implantes iniciou-se a reabilitação protética. Na moldagem utilizou-se transfer com moldeira fechada. Após a prova da estrutura metálica e referência de mordida se iniciou-se a entrega das próteses de metal cerâmicas retidas por parafuso.

Caso Clínico produzido por MSC Ricardo Toscano, Diretor Científico da DSP Biomedical, Mestre em Implantodontia 

Referências

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