Avaliação Retrospectiva da Taxa de Sobrevida de Implantes Osseointegráveis

O objetivo deste trabalho foi avaliar retrospectivamente, após período médio de observação de 20 meses, a taxa de sobrevivência de implantes osseointegráveis com relação aos seguintes parâmetros:

1-marca comercial do implante;

2-comprimento do implante;

3-diâmetro do implante;

4-relação inter-implantes;

5-tipo de prótese;

6-tipo de fixação da prótese;

7-cirurgião.

A substituição de dentes perdidos por implantes, em reabilitações de pacientes parcial ou totalmente edêntulos, tem demonstrado ser um tratamento com altos índices de sucesso (Bahat e Handelsman, 1996; Becker e Becker, 1995; Levine et al., 2002; Levine et al., 1999; Levine et al., 2007). Reabilitações protéticas sobre implantes osseointegráveis se constituem atualmente em procedimentos com maiores índices de sucesso e longevidade quando comparadas com reabilitações convencionais (Pjetursson et al., 2004; Pjetursson et al., 2004; Tan et al., 2004).

Apesar do grande avanço obtido com os implantes osseointegráveis, uma pequena mas significativa parcela dos pacientes continua a sofrer com problemas relacionados com a osseointegração. A identificação dos fatores de risco, bem como de que maneira os pacientes podem ser enquadrados nos mesmos, é essencial durante a etapa de planejamento. Com o grau de qualidade atingido atualmente no que diz respeito aos implantes e técnicas cirúrgicas, pode-se observar um interesse aumentado nas variáveis relacionadas aos pacientes e sua condição sistêmica, que poderiam influenciar a integração do implante e consequentemente seu sucesso clínico. Alguns trabalhos têm demonstrado que diabetes, osteoporose, terapia com esteróides, quimioterapia e radiação na região de cabeça e pescoço são consideradas condições que contra-indicam a instalação de implantes (Blanchaert, 1998; Fugazzotto, 2005; Matukas, 1988; Oikarinen et al., 1995). Entretanto, outros estudos demonstram que problemas médicos individuais não se correlacionam com aumento da taxa de fracasso de implantes, e que a taxa de sucesso é influenciada principalmente pela quantidade e qualidade óssea e também pela técnica cirúrgica (Matukas, 1988; Moy et al., 2005; Smith et al., 1992). De qualquer maneira, seria interessante identificar os fatores sistêmicos mais comumente associados às falhas dos implantes no sentido de serem tomadas medidas preventivas como por exemplo, instalação de implantes adicionais e emprego de protocolo privilegiando maior tempo de cicatrização e reparação.

As diretrizes clássicas para reabilitações protéticas sobre implantes incluem um período de osseointegração de 3 a 6 meses durante o qual a carga funcional deve ser evitada (Jemt et al., 1990). Este período tem sido preconizado para prevenir a formação de encapsulação fibrosa do implante, o que sempre se pensou estar relacionado ao carregamento precoce do mesmo, assim como evitar possíveis sobrecargas ao osso necrótico superficial resultante da osteotomia, que poderia culminar em mobilidade do implante (Dhanrajani e Al-Rafee, 2005). Entretanto, um longo período de espera pode tornar-se uma situação intolerável para pacientes edêntulos. Recentemente, vários autores têm suportado a alternativa de carregar imediatamente os implantes, sobretudo na mandíbula, instalando sobredentaduras e diminuindo o período entre a cirurgia e a instalação da prótese (Chiapasco e Gatti, 2003; Chiapasco et al., 1997; Gatti e Chiapasco, 2002; Gatti et al., 2000). Cabe salientar que “carga imediata” se refere à instalação da prótese definitiva ou provisória num período de até 48 horas após o procedimento cirúrgico (Degidi et al., 2007).
A instalação de implantes em regiões posteriores pode apresentar alguns inconvenientes devido à sobrecarga dos componentes protéticos, diâmetro inadequado do implante e interfaces restauradoras inadequadas para utilização em elementos unitários.

Na última década, a utilização de implantes de grande diâmetro (maiores que 3,75 mm) tem aumentado, principalmente na região posterior, uma vez que é geralmente aceito que os mesmos possuem a capacidade de tolerar as forças oclusais, além de criar uma base maior para a reabilitação protética e evitar a necessidade de instalar dois implantes no mesmo sítio (Bahat e Handelsman, 1996; Friberg et al., 2002; Griffin e Cheung, 2004; Ivanoff et al., 1999; Krennmair e Waldenberger, 2004; Langer et al., 1993; Renouard et al., 1999). Em 1993 foram introduzidos implantes com 5 mm de diâmetro (Langer et al.), que foram inicialmente indicados em situações como: pobre qualidade óssea, altura óssea inadequada e substituição imediata de implantes não osseointegrados ou fraturados. Essa última indicação foi posteriormente rejeitada a partir de alguns estudos que avaliaram a taxa de sucesso nessas situações (Bahat e Handelsman, 1996; Friberg et al., 2002; Griffin e Cheung, 2004; Ivanoff et al., 1999; Krennmair e Waldenberger, 2004; Renouard et al., 1999).

Implantes curtos (com 10 mm ou menos) podem ser indicados em situações onde a altura óssea é muito pequena, fato especialmente frequente na região posterior da mandíbula. Com sua utilização, é possível reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos complexos como enxertias ósseas e levantamento do seio maxilar, além de possibilitar o planejamento de próteses sem a necessidade de cantiléver posterior.
Entretanto, a menor área de superfície em contato com osso pode ser considerada uma potencial desvantagem principalmente no que diz respeito à assimilação das forças oclusais (Degidi et al., 2007).

Estudos longitudinais acerca dos resultados de terapias protéticas sobre implantes são fundamentais para o estabelecimento seguro de padrões de prognóstico frente às diferentes abordagens clínicas. Assim, torna-se possível estabelecer se determinado tratamento é seguro e em quais situações o mesmo deve ser indicado (Strietzel et al., 2004). Neste sentido, o acompanhamento clínico de implantes de grande diâmetro tem sido realizado avaliando a taxa de sobrevivência (implantes ainda em posição ao final do período de acompanhamento) ou, nos casos onde a taxa de sobrevivência é muito alta para detectar qualquer diferença entre as variáveis estudadas, avalia-se a taxa de sucesso, analisando variáveis como perda óssea peri-implantar, profundidade de sondagem, índice de placa e índice de sangramento (Bahat e Handelsman, 1996; Friberg et al., 2002; Griffin e Cheung, 2004; Ivanoff et al., 1999; Krennmair e Waldenberger, 2004; Langer et al., 1993; Renouard et al., 1999).

Além dos fatores ligados ao paciente e às características dos implantes, aspectos como planejamento adequado e habilidade do cirurgião devem ser levados em consideração quando se determina o prognóstico de um tratamento reabilitador utilizando implantes dentários. Sendo assim, estudos longitudinais retrospectivos e prospectivos são de fundamental importância no estabelecimento de alternativas terapêuticas com menores possibilidades de fracasso.

01

H0: As frequências são consideradas iguais
H1: As frequências são consideradas diferentes

Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação: Foi possível observar que a hipótese nula foi aceita durante o teste. Logo, pode-se considerar que as frequências de sobrevivência e perda em função das marcas comerciais dos implantes são equivalentes (χ2=0,756; GL=3; p=0,860).

Para o parâmetro “comprimento”, os resultados estão descritos na Tabela 2.

 

FIG01

Figura 1 – Porcentagem de perda para as diferentes marcas comerciais dos implantes.

 

FIG02

Figura 2 – Porcentagem de perda para os diferentes comprimentos dos implantes.

 

 

COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS DE PERDA E SOBREVIDA EM FUNÇÃO DO COMPRIMENTO DO IMPLANTE

02

H0: As freqüências são consideradas iguais
H1: As freqüências são consideradas diferentes
Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação: Foi possível observar que a hipótese nula foi aceita durante o teste. Logo, pode-se considerar que as freqüências de perda em função do comprimento dos implantes são equivalentes (χ2=1,878; GL=2; p=0,391).

FIG03

Figura 3 – Porcentagem de perda para os diferentes diâmetros dos implantes.

 

Para o fator “diâmetro”, os resultados estão descritos na Tabela 3. Os percentuais de perda foram: implantes com menos de 3,75 mm – 4,0%; implantes com diâmetro entre 3,75 e 4,1 mm – 2,3%; e implantes com diâmetro maior que 4,1 mm – 6,7% (Figura 3).

 

COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS DE SOBREVIDA E PERDA EM FUNÇÃO DO DIÂMETRO

03

H0: As frequências são consideradas iguais
H1: As frequências são consideradas diferentes
Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação: Foi possível observar que a hipótese nula não foi aceita durante o teste.

Logo, pode-se considerar que as frequências de sobrevivência e perda em função do diâmetro dos implantes são diferentes (χ2=9,533; GL=2; p=0,009). A diferença refere-se principalmente em relação aos implantes com grande diâmetro, sendo que este grupo apresenta significativamente maior perda que os demais grupos. Vale ainda ressaltar que os implantes com diâmetro regular apresentam significativamente uma menor perda.
Para o parâmetro “relação inter-implantes”, os resultados estão descritos na Tabela 4. Os percentuais de perda foram: implantes unidos (esplintados) – 1,5%; implantes que receberam carga isoladamente – 3,7% (Figura 4).

 

FIG04

Figura 4 – Porcentagem de perda relacionada à relação inter-implantes.

 

COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIA DE SOBREVIVÊNCIA E PERDA EM FUNÇÃO DA UNIÃO DOS IMPLANTES

04

FIG05

 

H0: As frequências são consideradas iguais
H1: As frequências são consideradas diferentes
Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação:  Foi possível observar que a hipótese nula foi aceita durante o teste.

Logo, pode-se considerar que as frequências de sobrevivência e perda em função do tipo de fixação das próteses são equivalentes (χ2=1,58478; GL=2; p=0,45276).
Para o parâmetro “tipo de prótese”, os resultados estão descritos na Tabela 6.
Os percentuais de perda foram: coroa metalocerâmica – 2,8%; coroa metaloplástica – 5,2%; sobredentadura – 3,3%; e protocolo – 3,1% (Figura 6).

 

COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS DE SOBREVIVÊNCIA E PERDA EM FUNÇÃO DO TIPO DE PRÓTESE DEFINITIVA

05

FIG06

H0: As frequências são consideradas iguais
H1: As frequências são consideradas diferentes
Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação: Foi possível observar que a hipótese nula foi aceita durante o teste. Logo, pode-se considerar que as frequências de sobrevivência e perda em função dos tipos de próteses definitivas são equivalentes (χ 2=1,127633; GL=3; p=0,770408).
Para o parâmetro “operador”, os resultados estão descritos na Tabela 7. Os percentuais de perda foram: operador A – 3,4%; operador B – 4,9%; operador C – 3,3%; e operador D – 0,3% (Figura 7).

 

COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS DE SOBREVIVÊNCIA E PERDA EM FUNÇÃO DO OPERADOR

Os percentuais de perda foram: implantes com menos de 10 mm – 3,3%; implantes medindo entre 10 e 13 mm – 3,1%; e implantes com mais de 13 mm – 0,9% (Figura 2).

H0: As frequências são consideradas iguais
H1: As frequências são consideradas diferentes
Teste utilizado: Tabela de contingência – Qui quadrado
Interpretação: Foi possível observar que a hipótese nula não foi aceita durante o teste. Logo, pode-se considerar que as frequências de sobrevivência e perda em função do operador são diferentes (χ 2=10,55048; GL=3; p=0,014422). A diferença refere-se principalmente em relação ao operador B, sendo que este apresenta significativamente maior perda que os demais. Vale ainda ressaltar que o operador D apresenta significativamente uma menor perda de implantes.

 

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos no presente estudo, conclui-se que:

. Desde que respeitado um determinado nível de qualidade, a marca comercial não influencia a taxa de sobrevivência de implantes.
. O comprimento dos implantes não influenciou a sobrevida dos mesmos, enquanto implantes com maior diâmetro apresentaram menor taxa de sobrevida.
. A união inter-implantes levou a um maior índice de perdas.
. O tipo de prótese bem como sua fixação não foram fatores determinantes para a ocorrência de perdas de implantes.
. O cirurgião mais experiente apresentou maior taxa de perda, provavelmente devido à execução dos casos menos favoráveis.
. A terapia com implantes osseointegráveis pode ser considerada uma modalidade de tratamento segura e fatores como diâmetro do implante, esplintagem inter-implantes e nível de experiência      do cirurgião podem influenciar a taxa de sobrevivência deste tipo de procedimento.

 

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